Rio na Veia

Feliz Rio na Veia pra você também!

Quinta-feira, 31/dezembro/2009 · 4 comentários

Hoje cedo, liguei para o meu editor sob o pretexto de lhe desejar feliz ano novo. Meu real objetivo era filar uma festa 0800 na mansão do boss em Copa. Como ele não mordeu a isca, só me restou a vingança de provocar:

- E o Rio na Veia, mermão? Morreu? Até quando vai ficar nessa estátua do Papai Noel infartando? Coloca pelo menos uma gata de biquininho.

Mas o cara é ninja. De bate pronto, mandou de volta:

- Mermão, tu tem até o fim do dia pra mandar um texto sobre o 2010 do Rio na Veia. Seu reveillon depende disso.

Ok, ok. Jornalismo é a arte de beber de graça. E jornalismo carioca é a arte de entornar de graça ali perto da Prado Júnior. Então, lá vai meu passaporte para a felicidade.

Pra começar, uma confissão. Ninguém sabe qual vai ser a próxima onda do Rio na Veia. Até aí, tranquilo, brou. Ou você acha que o Steve Jobs pensava em vender ipods quando fundou uma empresa chamada Maçã ?!?

Nossas reuniões de pauta parecem brainstorm do Pinel, e sempre acabam com a galera consultando o twitter da Lei Seca. Algumas das ideias mais revolucionárias surgem nessas reuniões. Do nada, alguém sugere:

- E se a gente tentasse marcar um choppinho com o Capitão Nascimento e o Zé Pequeno numa birosca da Cidade de Deus?

Ou então:

- Sabe essas vacas do Cow Parade? E se a gente promovesse um Bode Parade na Feira de São Cristóvão?

Nem todas as ideias acabam vingando. Mas algumas prosperam:

- Vamos amarrar uma câmera no guidon da bike e sair por aí filmando o Rio.

 Bom, vocês já conhecem o duguidão.

O ano de 2010 será decisivo para o futuro do Rio na Veia. A maioria dos botequins vai à falência antes de completar um ano. Não por falta de clientes, mas porque o dono bebe junto com eles.

Na internet é justo o oposto. Se rolar um chopp com os clientes, tanto melhor. O sucesso de qualquer projeto de conteúdo depende da habilidade em atrair pessoas dispostas a compartilhar ideias. E compartilhar ideias é muito mais do que escolher o próximo vencedor do Big Brother.

Ideia. Eis a palavra-chave.

Aí vai uma novidade. Textos assinados. Meu nome é Aldo Rei e estarei por aqui ano que vem.  

Pra mim, 2010 será um ano Rio na Veia, mermão!

Aldo Rei é carioca e jornalista. Até agora ninguém o conhece. Quer escrever pro Rio na Veia pra ver se fica famoso.

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Que Rio é esse?

sábado, 19/dezembro/2009 · 2 comentários

Você se considera um carioca da gema? Conhece bem o Rio de Janeiro? Cada lugar da cidade? Os bairros, as ruas, os recantos mais escondidos? Tem certeza?

O Rio na Veia quer saber se você é brother mesmo. Vamos combinar assim: a gente publica uma foto do Rio por vez e você nos conta alguma coisa sobre o local fotografado. Pode ser qualquer coisa. O que já te aconteceu ali, alguma curiosidade sobre o passado do local, ou qualquer outra abobrinha. Só tem uma coisa: nós não vamos dar dica nenhuma, valeu? Não pense que vai ser sempre uma moleza… Use o espaço para comentários pra dividir suas impressões com a gente.

Ah! As fotos são nossas, mas você pode usar como quiser. Basta mencionar que foi a gente que clicou, ok?

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Trocando uma Ideia com André Diniz

segunda-feira, 14/dezembro/2009 · 4 comentários

Ele é historiador da música popular brasileira. Publicou, pela Editora Jorge Zahar, as biografias dos músicos Anacleto de Medeiros e Joaquim Callado. Pela mesma editora, escreveu os Almanaques do choro, do samba e do carnaval. Com Juliana Lins, publicou cinco livros infanto-juvenis, na Editora Moderna, contando a vida dos compositores Pixinguinha, Paulinho da Viola, Adoniran Barbosa, Braguinha e Noel Rosa.

   

Atualmente, André Diniz trabalha em alguns novos projetos com lançamento previsto para o ano que vem. Um deles aborda história e música popular: “República Cantada: do Abre Alas a Lula, de Deodoro ao funk.”

É nesse clima que André Diniz troca uma ideia com o RnV sobre música, história, Rio de Janeiro, samba, choro, bossa nova e funk.

Já é quase carnaval no Rio de Janeiro…

RnV: Em seus livros, a música é quase sempre o centro de tudo. Artistas, ritmos, festas populares e danças. Como foi despertado esse seu específico interesse?

André Diniz: É difícil precisar. Mas tenho a impressão de que todos os brasileiros nascem em algum ambiente musical. Uns vão ouvir os ritmos, outros são privilegiados na arte de compor, cantar e tocar; eu me insiro no quesito divulgação. Gosto tanto de música, que só sobrou, devido à minha falta de habilidade, divulgá-la. Tenho todos os instrumentos em casa e nenhuma capacidade para tocá-los. Costumo dizer que trocaria todos os livros que fiz por um acorde bem executado…

RnV: Qual a importância de contextualizar cada objeto de pesquisa ao momento histórico em que se inserem? Como a História explica melhor a evolução do choro, do samba, ou do carnaval no Rio de Janeiro?

André Diniz: Nenhuma arte pode ser explicada sem o seu contexto histórico. E a música não foge a essa regra. O samba só se tornou um gênero nacional pelo contexto histórico do surgimento do rádio, da consolidação da miscigenação da população carioca e, do ponto de vista da política, da sedimentação do Estado dirigido pelo presidente Getúlio Vargas que valorizou a relação com os setores populares. Porém, ao mesmo tempo, a arte não poder ficar circunscrita ao período que a gerou. Ela transcende o momento da sua criação, por isso, até hoje, apreciamos a arte grega, romana, renascentista e ouvimos as obras de Pixinguinha, Villa-Lobos, Tom Jobim, entre outros.

RnV: André, você já resgatou a história de personagens muito importantes para a evolução musical do Rio de Janeiro, como Anacleto de Medeiros. Por que alguém tão importante para um determinado movimento musical como o choro foi esquecido ou ignorado por grande parte da sociedade carioca?

André Diniz: É realmente uma tarefa meio maluca. Tanto em relação ao livro do Anacleto quanto ao livro do Callado, passei meses nos arquivos da cidade para achar pouquíssimas informações. Acabei tendo que unir o faro de historiador com uma habilidade de escritor, que ainda tento construir, para recompor a vida desses singulares personagens da história do choro. Não sei se ficou bom, mas ao menos os biografados ganhavam uma vida que não tinham na nossa literatura musical. Facilitei o trabalho de futuros pesquisadores do choro.  

RnV: Em sua opinião, que outros movimentos tipicamente cariocas merecem ainda ser resgatados? De que forma tais expressões culturais podem ajudar a contar a história do Rio de Janeiro?

André Diniz: Parte dessa pergunta estou respondendo no meu próximo livro, da Editora Zahar, que sai no ano que vem: “A República Cantada: história do Brasil e música popular – do Abre Alas a Lula, de Deodoro ao Funk”. Finalmente, os pesquisadores, nas últimas décadas, descobriram que a música não é só boa para ouvir, mas também para pensar. Todos os nossos sonhos, desejos, desencantos, projetos, ideologias, foram retratados de uma alguma forma no cancioneiro popular. E existe ainda uma infinidade de pesquisas que podem ser feitas para melhorar a compreensão desses muitos Brasis que temos por aí. No Rio, especificamente, surgiram o choro, o samba urbano, a bossa nova, o funk… Todos cantam a cidade. O choro dos funcionários públicos do início da República, com suas rodas que varavam a madrugada; o samba que uniu em sua rítmica a miscigenação e a geografia social da cidade; a bossa nova que emergiu em uma zona sul encantada e bronzeada e o funk, retrato em branco e preto de nossas favelas e periferias contemporâneas…

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Papo de Boteco: O garçom amigo

Domingo, 13/dezembro/2009 · 1 comentário

Um respeitável cidadão carioca, frequentador assíduo do Bar Lagoa, depois de algumas horas bebendo todas, completamente alcoolizado, resolveu azarar uma mulher que estava sozinha na mesa ao lado da sua. Ele já estava sentado com a potencial vítima e desenrolando aquela ideia, quando, de repente, um garçom começa a gritar de dentro do bar:

- Ei, doutor, doutor… telefone pro senhor.

O cara achou super estranho.

- Telefone pra mim? Cê tá maluco, Zé?

- Tô não, doutor… telefone pro senhor. Vem atender, doutor… é importante!

Depois de muita insistência do garçom, o cara levantou e foi atender. Quando chegou no balcão, o garçom virou-se pra ele e disse:

- Essa aí não, doutor. Essa é muuuuito ruim…

Caraca! Você também já fez isso? Conta pra gente.

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Que Rio é esse?

sexta-feira, 11/dezembro/2009 · 9 comentários

 

Você se considera um carioca da gema? Conhece bem o Rio de Janeiro? Cada lugar da cidade? Os bairros, as ruas, os recantos mais escondidos? Tem certeza?

O Rio na Veia quer saber se você é brother mesmo. Vamos combinar assim: a gente publica uma foto do Rio por vez e você nos conta alguma coisa sobre o local fotografado. Pode ser qualquer coisa. O que já te aconteceu ali, alguma curiosidade sobre o passado do local, ou qualquer outra abobrinha. Só tem uma coisa: nós não vamos dar dica nenhuma, valeu? Não pense que vai ser sempre uma moleza… Use o espaço para comentários pra dividir suas impressões com a gente.

Ah! As fotos são nossas, mas você pode usar como quiser. Basta mencionar que foi a gente que clicou, ok?

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Trocando uma Ideia com Pedro Scripilliti

Quarta-feira, 9/dezembro/2009 · 1 comentário

O carioca Pedro Scripilliti é ex-atleta de wakeboard, participa de alguns campeonatos periodicamente, mas hoje é free rider. Ele trabalha com wake desde 1999, e já foi presidente da ABW – Associação Brasileira de Wakeboard. Desde 2005, Pedro está envolvido na organização do Carioca de Wakeboard. Em 2010, com a reorganização da Federação Carioca do esporte, ele será o presidente e buscará atuar em prol do esqui aquático com o intuito de fazer crescer o esporte.

Pedro troca uma ideia com o RnV para promover a Copa Cedae Lagoa Limpa, etapa do Campeonato Carioca de Wakeboard que ocorre no próximo fim de semana, dias 12 e 13 de dezembro, a partir das 9 hs, na Lagoa Rodrigo de Freitas. Para ele, essa etapa é um marco. Pela primeira vez uma empresa como a Cedae investe no esporte, apostando na oportunidade de mostrar o resultado da recuperação da qualidade da água da Lagoa. Além disso, ele vê o momento como favorável para que a Rodrigo de Freitas alcance o posto de maior cartão postal do Rio e se consolide como a casa do wakeboard.

Mais detalhes sobre o evento em http://www.wakerj.com.br. Foto abaixo clicada por André Magarão.

RnV: Pedro, você pode nos contar um pouco sobre a história do wakeboard no Rio de Janeiro, qual o custo médio para praticar o esporte, e que tipo de benefícios à saúde o wake oferece?

Pedro Scripilliti: O wake, apesar de um esporte caro, traz muitas vantagens para o corpo e a mente. Primeiro, pelo contato direto com a natureza, o que é sempre bom pra mente. Segundo, porque trabalhamos várias partes do nosso corpo, como o abdome, pernas e braços, o que ajuda a desenvolver boa musculatura. Para iniciar, é possível e ter aulas alugando o material com os professores na Lagoa Rodrigo de Freitas, o que diminui o custo inicial. Assim, o praticante pode ter certeza se gosta do esporte para, depois, investir em um equipamento próprio.

RnV: Qual é a situação atual, em termos profissionais, da prática esportiva de wakeboard no Rio de Janeiro? O que há para se destacar em termos de conquistas e o que ainda é preciso fazer pelo maior desenvolvimento do esporte em nossa cidade?

Pedro Scripilliti: O wakeboard no Rio tem apenas um atleta profissional. O que falta aqui é uma boa lancha para treinamento e investimento da iniciativa privada. É um esporte plástico, que dá boa visibilidade e qualquer patrocinador adoraria ter sua marca associada ao wake, ainda mais estando na Lagoa, um cartão postal do Rio. Foi pensando nisso que, a meu ver, a CEDAE investiu no circuito carioca, apoiando a prática do esporte e provando mais uma vez que está engajada com a limpeza da Lagoa.

RnV: Quando pensamos no wake como atividade de lazer, ou não competitiva, qual é o perfil dos praticantes cariocas do esporte e quais os principais pontos, além da Lagoa, mais adequados para o treinamento?

Pedro Scripilliti: No Rio temos a Lagoa Rodrigo de Freitas e a de Marapendi, que hoje está impraticável para o esporte devido aos condomínios da Barra, que jogam detritos no local. Na Lagoa, com o novo sistema de elevatórias da Cedae, tudo melhorou. O perfil dos atletas é o de pessoas que curtem boardsports e a prática de atividades radicais. Porém, qualquer pessoa está apta a fazer wakeboard desde que sempre use ítens de segurança como o colete salva-vidas e seja bem orientado por um profissional/professor experiente.

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Flanando… Capítulo 3 (final): Duas faces da mesma Ouvidor

segunda-feira, 7/dezembro/2009 · Deixe um comentário

No capítulo final, queremos mostar os contrastes que podem ser percebidos na Rua do Ouvidor. O Rio de Janeiro é, por excelência, desde sua fundação, uma terra de antíteses, uma cidade partida, muitos lugares em um.

Dizem que toda rua tem um começo, mas só a Ouvidor tem dois.

 Texto e fotos por Pedro Paulo Bastos, de As Ruas do Rio

A Ouvidor com a Mercado poderia se passar tranquilamente por cenário de filmes e/ou novelas de época não fossem os automóveis nada antigos por ali estacionados – mal, diga-se de passagem –, obstruindo o cruzamento, justamente nos trechos dessas ruas que não dão acesso ao trânsito de veículos. Os automóveis ali parados contrastam com a tranquilidade histórica remetida pelos belos sobrados da região. E o melhor: sobrados restaurados, devidamente pintados, sem aquela cara de imóvel caquético caindo aos pedaços. Eles têm vida, não só pela bela arquitetura realçada pelo toque de manutenção, mas também pelo significado que hoje possuem naquele espaço urbano.

 A maioria dos sobrados daquela área se dedica às atividades comerciais, mais especificamente ao comércio dos comes & bebes. Local estratégico, pois é justamente nesta região do Centro que estão os maiores escritórios do ramo financeiro (a Bolsa do Rio fica a poucos metros dali) e é para esse festival gastronômico que os trabalhadores partem na hora do almoço ou após o expediente – happy hour mais carioca que esta não há. Quando falo trabalhadores, não me refiro a qualquer tipo de trabalhador, mas àqueles que, na sua grande maioria, são executivos, trajados em terno, gravata, sapato, que só não andam mais impecáveis porque esse calorzão do Rio não permite. Por outro lado, as mulheres também não cometem deslizes: terninhos, saltos altos e óculos – escuros, é lógico. A esquina Ouvidor com a Rua do Mercado atinge um público-alvo baseado na classe média para cima, refletido não só pelo comércio (como o restaurante árabe Al Khayam e a livraria Folha Seca, ali pertinho também) mas pela boa limpeza local, como um todo.

O cuidado dado às calçadas e aos paralelepípedos também são dignos de uma área melhor preservada, e isso não é exatamente graças à boa vontade do povo, mas sim à dos planejadores…

Adentrei à Rua do Ouvidor, passando pela Travessa do Comércio, esperei pelo menos uns dois minutos até o sinal da Primeiro de Março fechar para os pedestres, senti o forte ar-condicionado da Saraiva Mega Store do lado de fora, não resisti e entrei um pouco, saí novamente, esperei mais um pouco até poder cruzar a Rio Branco, tropecei em uma pedra na esquina com a Rua Uruguaiana, e lá avistei, ao fundo, o prédio do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ e, finalmente, o término da Rua do Ouvidor: eu estava já na outra extremidade. Reativando meus seis sentidos à análise, pude constatar uma diferença sonora bastante diferente daquela que existia no cruzamento com a Rua do Mercado. O.k., falar de freadas e buzinadas de ônibus não seria o mais aceitável, afinal, ambas as áreas do Centro convivem com tal tipo de ruído; o barulho ali é humano. Poluição sonora que, dependendo do seu estado de humor, pode ser um prato cheio para a diversão – ou então, sinônimo de estresse.

“Cerveja, água, Skol, aqui comigo! É 2 reais!”, grita um ambulante. “Antena parabólica aqui na mão do camelô. Você vai ver os canais da TV a cabo diretamente dessa antena especial! Alô freguês, chega mais”, berrava outro, em competição, desta vez em um auto-falante.

E é mate pra cá, R$ 1,99 pra lá, piratarias adiante… Assim a Rua do Ouvidor termina, como se fosse uma espécie de camelódromo ambulante, já preparado sagazmente para qualquer tipo de aparição policial ou fiscalizadora. Mesmo sofrendo todos os riscos possíveis, os camelôs sorriem, dão gargalhadas, fazem piadas – parece que nada abala o bom humor do carioca. Nem mesmo o calor quase desumano do Centro da cidade. E os pedestres circulam em meio a esse muvuca, pedestres esses bem mais despojados que os que circulam pela região da Rua do Mercado; vestem bermudas, regatas, vestidinhos, sandálias rasteiras, Havaianas, refletindo bem o clima informal deste trecho da Rua do Ouvidor.

 O comércio legalizado também atende à clientela mais popular: lojas de calçados e tecidos recheados de promoção, os famosos “Chinas” com a dobradinha “joelho mais refresco” por R$ 1,99, além de outros, tudo isso em meio a uma arquitetura também imponente, mas não tão conservada e valorizada como a dos arredores da Rua do Mercado. Entretanto, em meio ao caos, é impossível passar por ali e não achar graça em algo; mesmo com todas as adversidades, o carioca sabe se divertir com os pequenos detalhes do dia-a-dia.

Dali eu saí com a cabeça a mil, com ideias e mais ideias sobre o que escrever, revendo as fotos registradas na máquina, e com um outro tipo de sentimento que nos foge, amiúde – o sentimento de íntima satisfação, de orgulho pelas minhas raízes. Ser natural de uma cidade que mistura, em um pequeno espaço territorial, diferentes funções, perfis sociais, aparências, e história, muita história. Isso simboliza mais riqueza que muitas contas bancárias por aí afora…

O Rio na Veia agradece o blog As Ruas do Rio e o Pedro Paulo por essa caminhada pela rua do Ouvidor, esperando reeditar a tabelinha em breve. Aos demais cariocas, fica a ideia de contarmos juntos outras histórias. O Rio na Veia está aqui pra isso.

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Flanando… Capítulo 2: A Rua do Ouvidor

Domingo, 6/dezembro/2009 · Deixe um comentário

Rio na Veia é uma iniciativa voltada a retratar temas de entretenimento e cultura sobre o Rio de Janeiro e os Cariocas. As Ruas do Rio é outra iniciativa destinada a analisar componentes urbanos a partir das ruas de nossa cidade. Para tratar, conjuntamente, de um tema que fosse comum ao perfil desses 2 sites, não foi preciso pensar muito. Bastava encontrar uma rua do Rio de Janeiro que representasse bem esses dois pontos de vista, refletindo a evolução urbana de nossa cidade, o espírito e a cultura do Rio de Janeiro e dos Cariocas.

Nenhum lugar poderia ser mais representativo para atingir esse objetivo do que a Rua do Ouvidor.

O livro “Ouvidor, a rua do Rio”, de Alberto A. Cohen – Ed. AACohen -, retrata, de maneira muito abrangente, a vida desse logradouro, descrevendo a origem do nome, os implementos públicos, os cafés, bares, confeitarias, perfumarias, hotéis e todos os demais importantes elementos que ajudam a contar a história da Ouvidor.

Na apresentação dessa obra, Moysés H. Geller, expõe que:

“(…) Nenhuma rua ostenta, pratica, exibe mais o espírito carioca, a gente do Rio, do que ela, com sua história, o seu traçado, a concretude de seus prédios, fachadas, desenhos e objetos urbanos. Na Rua do Ouvidor, a identidade carioca, com seus valores, símbolos, obras e referências, não são invisíveis ou apenas inferidos ou deduzíveis. Na Ouvidor, o povo e a cultura do Rio podem ser vistos e tomados, transitam, esbarram na gente, gritam, se reproduzem numa festa sempre nova, surpreendente, colorida, real, a cada manhã.

(…) Toda cidade importante do mundo tem a sua Rua Direita ou Rua do Comércio; outras têm a Rua da Praia, “rua principal”, “avenida central” etc. O Rio tem todas essas, mas, principalmente, amorosamente, o Rio tem a longa, única, estreita, generosa, eterna, a carioquíssima Rua do Ouvidor”.

Foi buscando entender esse espírito, essa atmosfera, que As Ruas do Rio flanou pela Rua do Ouvidor e começa a contar, a partir de agora, sobre o enederço mais conhecido da cidade… aqui no Rio na Veia.

Por Pedro Paulo Bastos 

Lá se vai mais de um século e meio, quase, desde que a Rua do Ouvidor perdeu seu posto de “Leblon” do Rio colonial para tornar-se mais uma das ruas antigas – e estreitas – do Centro da cidade. Os diferentes e variados sobrados existentes ao longo da Ouvidor deixaram de ser as residências das camadas altas da sociedade e têm se transformado constantemente ao longo do tempo, seja na sua funcionalidade, estrutura e até mesmo em sua existência – que deveria ser perpétua.

E a pergunta fica: como está a Ouvidor hoje, nesse fim da década dos anos 2000? Muita gente passa diariamente por esta simpática via, mas não se dá ao luxo de observar suas disparidades e de como um mesmo logradouro pode ter a incrível capacidade – e potencial – de abrigar, em diferentes trechos, dezenas de funções, sonoridades e interesses que influenciam, e muito, a frequência da rua. Como muitas outras ruas cariocas, a do Ouvidor tem essa incrível particularidade.

Nessa análise, vamos passear nas duas extremidades da Rua do Ouvidor: a primeira, é o cruzamento com a Rua do Mercado, logo ali nas imediações da Praça XV; a segunda ponta, o seu encontro com a Rua Ramalho Ortigão, lá no Largo de São Francisco. Dois pontos bastante distintos, mas que mantêm um mesmo elemento em comum: a Rua do Ouvidor, como endereço oficial.

Próximo capítulo (final): os dois extremos da Ouvidor.

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Flanando… Capítulo 1: O autor

sábado, 5/dezembro/2009 · 7 comentários

Ontem apresentamos aqui a ideia por trás do site As Ruas do Rio. É hora de conhecermos  seu jovem autor, Pedro Paulo Bastos, que pratica a atividade de flanar pelos logradouros cariocas, observando, fotografando e analisando o que de mais especial existe em cada endereço da cidade. Vamos descobrir um pouco mais sobre esse carioca e o que o levou a sair por aí olhando para cada pedaço de esquina, calçada, prédio, árvore e tudo mais que compõe, conjuntamente,  nosso equipamento urbano em sua versão completa.

É o que vocês leem nas linhas abaixo. Ele mesmo nos conta essa história.

Por Pedro Paulo Bastos

Meu interesse e minha orientação sobre as questões urbanas, em especial as da cidade em que  nasci, o Rio, passou a tomar uma proporção maior na pré-adolescência, quando comecei a desenvolver trabalhos de cartografia não só para o colégio, mas para mim também, com a criação de megalópoles imaginárias e sua teia de ruas, avenidas e viadutos desenhada milimetricamente em inúmeras folhas de papel ofício. Foi uma espécie de hobby extremamente incomum para um adolescente. O livro da minha vida era o Guia Rex 95 que vivia perdido aqui em casa, junto da lista completa das linhas de ônibus do município do Rio (risos). A partir dos mapas da cidade que eu, cuidadosamente, estudava, dos nomes curiosos de ruas, ou até mesmo de lugares que eu tinha muita curiosidade em conhecer, foi que eu passei a percorrer as ruas do Rio, ainda moleque, e na maioria das vezes escondido, pois não tinha muita liberdade para ir aonde eu queria. Fui para muito lugar longe de casa só para conhecer determinada rua que eu havia visto no mapa e saber como ela era, qual era a predominância dos tipos de imóveis, se era arborizada ou não…

Tais questões passaram a ser muito importantes para mim. Era muito prazeroso observar as ruas sob essa perspectiva e foi a Faculdade de Geografia, da UFRJ, que cursei por dois anos, que me ofereceu os mecanismos de amadurecer a ideia do blog As Ruas do Rio, criado em junho deste ano. Mais alimentada por lazer do que por um compromisso, a ideia finalmente se materializou quando percebi que não existiam sites/blogs regionais que expusessem essa perspectiva que eu adoto em relação às ruas e ao que está contido nelas – as edificações, o tipo de calçamento, as espécies de árvore, entre outros pontos.

Inspirado nas áreas de geografia, urbanismo e arquitetura, o blog As Ruas do Rio tem percorrido ruas de diferentes regiões da cidade do Rio de Janeiro, inclusive as áreas onde o potencial turístico é nulo e, portanto, desconhecidas por muitas pessoas, inclusive pelos próprios cariocas. A proposta do trabalho vai muito além da descrição; apoia-se também no resgate da arte da observação e de perceber que pequenos detalhes podem valorizar muito o nosso espaço urbano. E é justo quando alguém passa a observar tais detalhes na rua onde mora, ou até mesmo na pracinha onde leva o filho para brincar, que se cria uma relação única de amor com o espaço urbano. Essa mesma relação já existe com a natureza – os cariocas se orgulham demais do equipamento natural que o Rio oferece. Quando se trata daquilo edificado pelo Homem, muitas vezes olha-se com desdém ou não se respeita da mesma forma. O espaço urbano merece um cuidado especial, pois é o local em que vivemos, onde moramos. Então, é cultivando o  respeito, a cidadania, a valorização dos pequenos detalhes e, principalmente, a união entre o verde e o asfalto, que uma cidade progride.  Estes são os valores em que o blog As Ruas do Rio também procura se apoiar.

Próximo capítulo: A Rua do Ouvidor.

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Flanando pelas Ruas do Rio

sexta-feira, 4/dezembro/2009 · 1 comentário

Ele adora flanar pelas ruas do Rio. Flanar é, segundo o Aurélio, passear ociosamente, vaguear, perambular. No caso dele, a ociosidade de seus passeios não tem o caráter indolente que pode sugerir tal conceito. Muito ao contrário. Trata-se de uma viagem profunda de descobertas, conexões de ideias e, principalmente, reflexões sobre a nossa cidade.

Pedro Paulo Bastos é carioca, amante da geografia do Rio e autor do blog As Ruas do Rio (http://www.asruasdorio.blogspot.com/).

O primeiro contato do Rio na Veia com o site As Ruas do Rio se deu a partir de um comentário que fizemos naquele blog. Pareceu-nos que o trabalho ali produzido continha material muito interessante e uma iniciativa que trazia certo ineditismo no modo de descrever os espaços públicos mais elementares e importantes de uma cidade, as suas ruas.

O Rio na Veia apresenta, então, em uma pequena série de 3 capítulos, o autor do blog As Ruas do Rio e o trabalho que esse jovem carioca realiza como contribuição à temática do espaço urbano.

O primeiro capítulo revelará um pouco do perfil do autor, enquanto os outros dois apresentarão o resultado de sua atividade de flanar pela cidade. Em uma primeira experiência de parceria entre os 2 sites, combinou-se de retratar uma das mais importantes ruas do Rio de Janeiro: a Rua do Ouvidor. Sob a perspectiva de ilustrar e comparar as extremidades daquela rua, tão distintas entre si, Pedro Paulo flanou pela Ouvidor e nos contará o que viu nos próximos capítulos.

Descubra o que os anos fizeram com a Rua do Ouvidor acompanhando essa curta saga e conheça outras tantas ruas do Rio no blog As Ruas do Rio. É Rio na Veia!

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